Terça-feira, 5 de Maio de 2009

O Museu das Almas do Purgatório.

É provável que você nunca tenha ouvido falar no Museu das Almas do Purgatório. Mesmo entre os católicos é praticamente desconhecido. Ele guarda registros do que seriam aparições de pessoas mortas. Pessoas que teriam voltado do além ou do purgatório para pedir orações. Na doutrina católica, o purgatório é um estado de espera. Um lugar de almas em purificação. Um sofrimento que só terá fim com a chegada ao paraíso.

Na Divina Comédia, uma das maiores obras poéticas de todos os tempos, o purgatório imaginado por Dante Alighieri é uma montanha muito alta, cercada de terraços, onde as almas se purificam dos pecados cometidos na Terra.

Foi na Idade Média que o purgatório viveu o auge da fama na imaginação dos cristãos. Hoje, fala-se pouco dele. O céu e o inferno desfrutam de maior prestígio nos sermões católicos.

Numa igreja de Roma, um museu misterioso contém relíquias que seriam um testemunho da comunicação de almas do purgatório. A igreja não permite que nenhuma imagem seja gravada, mas um pesquisador de parapsicologia, o brasileiro Clóvis Nunes, entrou no Museu das Almas do Purgatório e conseguiu filmar as peças: “Este museu está reservado à Igreja. Para nós termos acesso a ele, precisei contar com o apoio de uma autoridade eclesiástica, em Roma, da Igreja Católica Brasileira”, conta.

Clóvis entrou na Igreja do Sagrado Coração do Sufrágio. Sufrágio significa acto de piedade, oração pelos mortos. A igreja pertence aos missionários do Sagrado Coração, ordem católica fundada pelo padre francês Jules Chevalier, em 1854.

Numa pequena sala, ao lado da sacristia, estão guardadas as relíquias: os antigos missionários do Sagrado Coração acreditavam que elas eram provas da comunicação entre vivos e mortos.

Uma das peças mais impressionantes mostra o que seria a mão de uma freira - morta em 1637 - impressa como se fosse a fogo, no hábito, uma espécie de avental, de uma outra freira. Segundo os registros do museu, a irmã Clara Schoelers apareceu no mosteiro beneditino de Winnenberg, na Alemanha, em 1696 -- quase 60 anos depois de sua morte -- e deixou a marca no hábito da freira Maria Herendorps: “Ela chegou envolvida em luz, e para a irmã não ter dúvida de que não era um sonho, ela deixou impressa no avental que estava pendurado no cabide a marca de sua mão queimada com fogo”, diz Clóvis.

A maioria das peças que compõem o Museu das Almas se referem à aparição de padres, freiras e fiéis, ocorridas em ambiente católico: igrejas, conventos, quartos de oração.

A marca que se vê na foto acima faz parte de uma série de aparições do padre Panzini, que foi abade em Mântova, Itália. Dizem os registros do Museu das Almas do Purgatório que o padre Panzini apareceu em 1731, no mosteiro de San Francisco, em Todi. Teria sido visto pela madre superiora, a venerável Isabela Fornari: “A marca foi deixada numa pequena mesa de madeira sobre a qual estava colocado um pano, que era na verdade a manga da camisa do hábito”, conta Clóvis. “Ele deixou impressa em queimadura, pela irradiação da luz de sua mão, e também apareceram marcas de sangue”.

O padre Panzini teria deixado a marca da mão também na túnica da madre superiora: “Ele também imprimiu sobre a madeira onde estava o hábito o desenho de uma cruz, feita também com o fogo de suas mãos, onde se vê, ao lado da mão, o sinal desenhado da cruz. A marca está bem visível”, diz o pesquisador.

Por ordem do padre Isidoro Gazala, confessor da madre superiora, os fragmentos da mesa e das roupas foram guardados e conservados, durante quase dois séculos, antes de serem trazidos ao museu.

Na noite de 21 de junho de 1789, na Bélgica, Giuseppe Leleux foi acordado pela visão da mãe, morta 27 anos antes. A mãe teria deixado uma marca impressa na roupa de dormir do filho e pedido que o rapaz mudasse de vida e se convertesse à Igreja. Depois da aparição, Giuseppe fundou uma congregação católica.

Outras marcas apareceram na paróquia de Ellinguen, na Alemanha, num livro que pertencia à devota Margarita Demerlê. Não há registro de datas, mas a história começou quando Margarita viu o que seria o espírito de uma mulher: “Ela lhe pergunta: ‘Quem é você e o que pretende?’. A alma materializada diz: ‘Eu sou sua sogra, morta de parto há 30 anos. Quero que você vá até a Igreja de Nossa Senhora e celebre missas por minha alma’”, conta Clóvis.

Dizem as crônicas do Museu das Almas que Margarita correu para contar tudo ao padre, e que o padre lhe disse: "Faz o que ela quer. Celebre as missas”. “Ela celebra as missas com orientação do padre. Meses depois a alma volta e agradece a ela, dizendo que está livre”, diz o pesquisador.

“Ela foi até o livro, abriu, e ali imprimiu as marcas de fogo de sua mão. E o que é curioso, é que ela abriu o livro na parte final do capítulo IV. As marcas ficaram sobre o seguinte texto: “Estou carregado de pecados, combatido de tentações, e não há quem me valha, não há quem me livre e salve senão tu, Senhor”, recita Clóvis.

Lorena, Alemanha, 21 de dezembro de 1838. Giuseppe Schitz aparece diante do irmão e pede orações, porque está sofrendo no purgatório. Marcas dos dedos de Giuseppe foram deixadas num livro de orações do irmão: “A marca do dedo atravessou nove páginas com a queimadura. Ela chegou a fazer uma perfuração”, conta o pesquisador.

Marcas semelhantes aparecem em outros livros que fazem parte do acervo do Museu das Almas do purgatório. Uma colecção espantosa.

Uma figura misteriosa aparece no altar depois de um incêndio. Assim começou a história do Museu das Almas do Purgatório.

Quem fundou a Igreja do Sagrado Coração do Sufrágio foi o missionário francês Vitor Jouet. Ele queria que o templo fosse dedicado às almas dos mortos. No dia 15 de novembro de 1893, houve um incêndio ao lado do altar. O fogo deixou uma marca no mármore: nela, os fiéis enxergaram o rosto atormentado de um homem. Padre Jouet acreditou que aquilo era um sinal, como se uma alma do purgatório estivesse suplicando por ajuda.

Depois desse episódio, o padre Jouet viajou por conventos na Itália, França, Bélgica e Alemanha, coletando objectos que comprovassem a manifestação dos mortos. Na volta, criou o Museu Cristão do Além-Túmulo, que mais tarde passaria a se chamar Museu das Almas do Purgatório. Tinha cerca de 200 peças, mas só restaram hoje as que foram aprovadas pelos sucessores do padre Jouet, aquelas consideradas autênticas acima de qualquer dúvida.

O padre Philipo Seveau, responsável pelo arquivo da Ordem dos Missionários do Sagrado Coração, diz que o padre Jouet era procurador da Santa Sé, e que tinha o apoio da cúria romana: “Padre Jouet era bem visto pelos cardeais e pelo Papa Pio X, ele conseguiu muitos benefícios para nossa congregação”, afirma.

Pode-se acreditar na autenticidade do Museu das Almas do Purgatório? O Vaticano não quer dar uma opinião oficial sobre a autenticidade das relíquias, mas as peças que estão no museu impressionaram vários especialistas da Igreja.

Orazio Petrosillo, especialista em Vaticano, já tinha ouvido histórias sobre as relíquias. Quando conheceu o museu, acreditou na autenticidade dele: “Eu, sinceramente, acredito que seja verdadeiro. Tenho a impressão de que são almas do purgatório que deixaram aqueles sinais para lembrar aos parentes e amigos de rezar por elas. Eu já tinha ouvido várias histórias e fui preparado para aquele museu. Não tenho nenhuma dificuldade de pensar que seja verdadeiro, mas é claro que não se deve dar tanta importância a um livro queimado, que será sempre um livro queimado. Mas esses objetos não são falsos”, afirma. “O facto é que não são falsos. Mas também é fato que a Igreja não se compromete, não faz uma declaração sobre a verdade. Não são truques e não são documentos falsos. Claramente se pensa que são almas do purgatório”.

Sandro Magister, outro especialista em Vaticano, diz que o museu foi criado para tentar comprovar a existência do purgatório, e que sempre causou controvérsia: “Eu acredito que algumas pessoas considerem aquelas peças testemunhos dignos de fé e, talvez, outra grande parte veja as relíquias com menos credibilidade”.

Padre Gino Concetti, teólogo franciscano, não dá muita importância às peças do museu: ““Eu penso que a materialização da religião e das verdades é sempre uma expressão ligada a uma determinada época, a uma cultura e sensibilidade. Eu acredito mais numa verdade sobrenatural espiritual. Não podemos saber nada do purgatório, apenas isto: é um lugar, como disse Dante, onde os espíritos vivem até ser dignos do reino dos céus. Sabemos que o inferno é um lugar de tormento, como disse Jesus no Evangelho, onde há pranto e lamento. Mais do que isso não podemos saber”.

Padre Gino diz que, pessoalmente, não acredita naquelas relíquias: “Não é possível materializar uma coisa espiritual. Não é possível. Nós imaginamos as almas entre chamas para exprimir a idéia de que essas almas sofrem tormentos e precisam de ajuda. Mas na verdade não é assim”.

Nossa reportagem ouviu também um dos poucos exorcistas oficiais do Vaticano. O padre capuchinho Vittorio Traini mostra-se muito prudente quando fala do Museu das Almas do Purgatório: ““As peças podem até ser verdadeiras, mas as almas não manifestam a sua presença com essas coisas, a menos que tenham sido graças especiais concedidas a pessoas especiais. Assim como existem essas manifestações, há também manifestações de caráter infernal, do diabo”.

As relíquias do Museu das Almas trazem uma questão muito delicada para a Igreja Católica: existe a comunicação entre vivos e mortos? “Eu acredito que sim. Eu acredito e me baseio num fundamento teológico que é o seguinte: todos nós formamos em Cristo um corpo místico, do qual Cristo é o soberano. De Cristo emanam muitas graças, muitos dons, e se somos todos unidos, formamos uma comunhão. E onde há comunhão, existe também comunicação”, acredita padre Gino Concetti.

“O espiritismo existe, há sinais na Bíblia, na Sagrada Escritura, no Antigo Testamento. Mas não é do modo fácil como as pessoas acreditam. Nós não podemos chamar o espírito de Michelangelo, ou de Rafael. Mas como existem provas na Sagrada Escritura, não se pode negar que exista essa possibilidade de comunicação”, afirma padre Gino.

“A Igreja acredita que seja possível uma comunicação entre este mundo e o outro mundo. A Igreja tem convicção de que esta comunicação existe. A Igreja sente-se peregrina, porque vive na terra e possui uma pátria no céu”, diz Sandro Register.

O email do pesquisador Clóvis Nunes é paz@gd.com.br
publicado por Admin às 18:19
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